terça-feira, 25 de março de 2008

As pequenas coisas inconfessáveis

(dos Contos proibidos de Alma Welt)

Espero Aline chegar para começarmos um novo quadro, em que ela posará novamente nua, numa pose ousada que concebi. Gostaria de eu mesma posar assim, como aquela escultura de Rodin, com as pernas muito abertas e alteadas, numa posição improvável e provocativa, para além da sensualidade e do erotismo, mas como confirmação da carnalidade gloriosa do animal feminino. Não sei se me fiz entender, mas trata-se de uma espécie de exasperação artística que me toma, quanto ao desejo de plasmar na arte a minha afirmação de mulher, que me sei bela, e que um dia deixarei de ser.
Nesses dias, em que me sinto assim, exaltada artisticamente, se não inspirada, a sensualidade emerge, e meu corpo exige coisas que nem sei... Bem, preparo o material, esperando a minha Aline, que afinal chega, um tanto esquiva, e hesitante. Conheço bem minha guria, e percebo quando alguma coisa a incomoda, ou quando tem algo a esconder. E sei, sempre, que a única coisa que Aline ainda tenta omitir na nossa relação, são seus encontros com o ex-namorado, o Pedro, numa espécie de contínua recaída, uma vez que ela já havia concordado comigo que ele é um mau caráter, pelo menos no que concerne ao relacionamento com o feminino, isto é, um machista nem sequer assumido, mas bastante perigoso. Não, não estou sendo parcial, nem estou puxando a brasa. Aline já afirmou que me ama, que está apaixonada por mim, me procura e me provoca, o que me dá o direito dessa exigência. Se fosse outro homem, mais puro e mais doce (eu garanti a ela), eu não exigiria o seu afastamento, nem sequer a exclusividade do seu corpo magnífico. Sei também que ela não acredita nessa minha última afirmação.
Aline vai se despindo, começando pelos tênis e a camiseta que ela usa em cima dos seus peitinhos deliciosos, que ficam com os bicos moldados pelo tecido, e que chamam bastante a atenção na rua, e em toda parte. Depois abre o cinto e desce o jeans rebolando ligeiramente, embora seja esguia, e não muito curvilínea. Depois, abaixa a calcinha, e... percebo nesse momento, que ela disfarça qualquer coisa, ao fazê-lo, tentando escondê-la debaixo da calça, sobre a cadeira. Então, finjo não reparar e viro-me de costas para ela, ajeitando a grande tela no cavalete.
Então, volto-me para ela, que me espera com os braços caídos, já passiva, para eu começar a tocá-la tecnicamente, ajustando-a à pose que vou descobrindo.
Coloco-a lentamente numa posição difícil, com as pernas muito abertas e muito altas, completamente exposta, mas que não se assemelha a pose daquela escultura de Rodin, para não imitá-la, ou plagiá-la. Começo a esboçar a pose no quadro com um carboncillo. Então, enquanto a observo, começa a acontecer:
Um brilho crescente na “porta” da vagina de Aline denuncia uma umidade, logo um corrimento, que vai formando uma espécie de bolha esbranquiçada. E começa a escorrer pela parte interna de sua coxa direita. Num longo fio, transparente, constrangedor para ela, que tenta enxugá-lo com a palma da mão, nervosa, constrangida, envergonhada. Sim, minha Aline está vazando o esperma de seu ex-namorado, copiosamente. Ela acaba de se entregar a ele, que me manda o seu recado, a sua assinatura de macho! Para boa entendedora...
Então, eu me aproximo dela, com meu pano de limpar pincel e, para sua surpresa, enxugo a sua coxa. Mas seu constrangimento cessa, pois imediatamente busco os seus lábios e beijo-a profundamente, apaixonadamente.
Ela sabe, assim, que nada me importa, e que meu amor é incondicional, e enternecido, até... com as pequenas coisas inconfessáveis.

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