(dos Contos Proibidos, de Alma Welt)
Hoje voltei a lembrar-me de um episódio luminoso, de minha adolescência. Tal lembrança me veio, num momento íntimo, no banheiro, ao fazer xixi, voluptuosamente. A sensação de prazer com a micção e seu barulhinho sibilado, remeteu-me a uma certa passagem quando, eu tinha mais ou menos quatorze anos, e recebemos na estância uma priminha, por parte da família de minha mãe, para passar as férias conosco. Dora, a menina da mesma idade que eu, assim que chegou, mostrou-se fascinada por sua “prima alemã”, que era eu. Sendo ela morena, e linda, com duas tranças pretas, enroladas na cabeça, seu pescoço comprido como o meu, de bailarina, me atraiu, além de outros detalhes de sua beleza, como, por exemplo, o narizinho de ponta quadrada, gracioso. Mas a atração irresistível estabeleceu-se entre nós ao compartilharmos o banheiro para fazer xixi, antes de pormo-nos no leito para palrar, antes do sono, encantadas uma com a outra. Foi o seguinte:
Dora, conversando sem parar teve vontade de fazer xixi, e pondo a mão ali, em seu púbis correu de repente para o banheiro de pernas meio fechadas, com urgência de urinar. Sem pensar, eu corri atrás e quando ela abaixou a calcinha, imediatamente, como um reflexo, eu pus minha mão direita entre suas pernas antes que ela se sentasse, para colher em minha mão a sua urina quente, quase fumegante. Este ato, nos deixou perplexas as duas... e encantadas. Como explicar tal gesto... instintivo? Nunca pude compreender a mim mesma nesses impulsos, verdadeiras “pulsões” sexuais, que embora misteriosas e desconcertantes, parecem obedecer a uma lógica interior mais profunda, pois me causam imenso prazer e aceitação posterior, sem maiores conflitos (uma vez muitos anos mais tarde comentei com meu psicanalista esse episódio, e outros parecidos, e ele os classificou de urolagnia ou urofilia, uma espécie branda de perversão. Lembro-me de que já da primeira vez, imediatamente levei a mão molhada às narinas, aspirei como um perfume. A seguir, diante do olhar estupefato da guria, lambi minha mão com infinito prazer. Dora ficou muito assustada com aquilo e disse que achava que eu era louca, que aquilo era nojento. Mas a verdade, é que ela ficou fascinada e quis repetir a experiência comigo, todas as vezes que íamos ao banheiro. Eu passei, instintivamente, a influenciá-la nessa espécie estranha de prazer, e logo, ela, a princípio relutante, experimentou meu xixi, imitando-me, ainda com receio, rindo muito. Daí por diante começou a festa do xixi, para nós duas, cada vez mais ousadas. Quando tomávamos banhos juntas, ao chuveiro ou na banheira fazíamos maravilhosas variações, por exemplo, fechávamos a torneira para banharmo-nos mutuamente sob nossas pequenas duchas douradas, deliciosas, apesar de muito quentes, naquele verão do nosso “despertar dourado”, com passei a chamá-lo em código.
Naquelas férias inteiras, nós desfrutamos do prazer de nosso banho de xixi, todos os dias. Eu me punha agachada no box, para ela urinar sobre mim, da cabeça os pés. Cada vez mais ávida, eu me punha de boca aberta diante do seu esguichinho, e aproximava-me até colar meus lábios na maravilhosa “xantinha” rosada de minha prima. Eu já começava a beber a sua urina, a medida que me sentia mais e mais apaixonada. Depois, ela me imitava, com igual paixão.
Logo, como era de se esperar ( muitos anos depois eu soube), como toda parafilia isso tornou-se uma obsessão naquela temporada, e o fetichismo da urina acompanhava uma paixão crescente, que passou a adquirir um timbre doloroso, diante da perspectiva do final das férias e de nossa separação inexorável. Então fizemos um pacto.
No dia de levar minha prima à estaçãozinha de trem, nós, naquela manhã, atingimos um paroxismo urológico, que nós fez beber mutuamente todo o sumo maravilhoso, o néctar de nossas bexigas. Por minha vez, introduzi, exasperada, os dedos na sua vagina, e a seguir no seu ânus, para nosso espanto. Tal variação era novidade para nós, e tardia: não havia mais tempo pra desenvolvê-la. Sentimo-nos frustradas e... desesperadas. Choramos abraçadas durante todo o percurso até a estação, e só desgrudei dela quando o trem começou a deslocar-se comigo nos braços da minha amada. Em seguida, em prantos, na plataforma levei os dedos às narinas e senti ainda os seus cheiros, com o prêmio adicional de uma nova fragrância, a do buraquinho traseiro de minha priminha adorada.
Depois de um mês, recebi pelo correio, o primeiro frasco, lacrado, de nossa correspondência intima, cujo gargalo, eu percebi, apresentava aquele perfume adicional.
Nosso pacto dourado!
27/10/2005
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Dias gloriosos, mistérios gozosos II (O retorno de Dora)
(dos Contos Proibidos, de Alma Welt)
Um ano se passou desde as primeiras férias de Dora entre nós, na estância. Agora eu recebia a notícia de sua vinda para a temporada de Dezembro e Janeiro. Durante o ano nós trocamos nossa peculiar correspondência, os pequenos frascos com o sumo de nossas bexigas, e alguns odores extras. Fomos buscá-la, Rôdo e eu, na charrete com Galdério. Nós estávamos um ano mais velhos e eu planejava compartilhá-la com meu querido irmão para assistir e decifrar certos enigmas para mim. Eu queria ver como se processava a penetração, e antegozava a visão explícita de meu amado irmão possuindo minha priminha amada. Era só uma questão de convencer Dora, o que me parecia fácil. Talvez bastasse apenas um pedido meu. Afinal, ela achara meu irmão “lindo” à primeira vista, na temporada anterior, e só não rolara um namoro, porque meu irmão afastou-se percebendo minha atração por minha prima. Rôdo sempre foi desprendido e generoso comigo, seu verdadeiro amor, essa é que é a verdade.
Na plataforma, eu estava em grande expectativa sobre a impressão que eu teria ao rever minha prima. Estaria ela tão bonita quanto no verão passado? Teria ela mudado em relação a mim? Afinal nossa troca de frascos parara havia três meses. Eu temia que ela tivesse mudado e renegasse toda a nossa experiência, toda a nossa peculiar relação.
Quando Dora desceu, do vagão, eu senti que ela, embora mais linda ainda, mudara por dentro. Ela abraçou-me ligeiramente constrangida, e aquilo apertou-me o coração. Teria eu que seduzi-la novamente, começar da estaca zero? Olhei-a nos olhos interrogativamente, mas ela desviou os seus. Por que então voltara? Eu estava, no mínimo, curiosa.
Não me deterei no percurso de retorno, na charrete, em que ela evitou ficar de mãos dadas comigo. Em compensação olhava de soslaio para Rôdo, que começou a exercitar o seu charme. Ah! Vocês não vão poder me excluir, nem tentem, pensava eu.
Afinal, no casarão, depois dela instalar-se no quarto de hóspedes, que estranhei, pois pensava que ela ficaria novamente no meu quarto, no mínimo como boas amigas e primas. Por que razão Dora estava me rejeitando? Isso eu iria descobrir logo. Naquela noite mesmo, invadi o seu quarto, e interroguei-a sem rodeios:
—O quê está acontecendo, Dora, por quê estás tão distante? O que lhe fiz para me tratares assim? Esqueceste do nosso pacto? Há três meses não me escreves e não me mandaste teu frasco...O que está acontecendo?
Minha prima, com seus belos olhos esquivos, levantou as palmas em minha direção num gesto inequívoco de repulsa e disse:
—Alma, não recomecemos. Aquilo tudo foi uma loucura. Não sei como conseguiste tudo aquilo de mim. Eu era muito tonta, muito infantil. Tu me seduziste, e abusaste de mim. És estranha, não sei como...
Fiquei desolada, decepcionada. Eu a seduzira? Contra a sua vontade? Ela não me amara? Não estava apaixonada por mim? Não! Havia alguma intromissão ali! Alguém fizera a sua cabeça, um psicanalista, ou um padre, talvez. Afinal ela era da parte católica, açoriana, da família de minha mãe. Saí de seu quarto em lágrimas, de dor e de revolta.
Ah! Sua pequena hipócrita, estás renegando tudo o que houve entre nós( eu pensava). Não, não te livrarás de mim tão facilmente. Conheço minha força, minha beleza. Logo estarás de joelhos diante mim. E digo mais: dentro daquele box, nuínhas as duas!
Foi um longo processo, daí por diante para reconquistar a pequena relutante, apóstata do nosso “pacto dourado”. Eu teria que usar meus mais sutis poderes de sedução. Foi aí que nasceu o meu truque (que eu iria usar tantas vezes depois, na vida) do banho de piscina, nua, de madrugada, nas claras noites de lua cheia. Eu já conhecia desde menina o poder da minha beleza. Era sempre com ela que eu podia contar, como primeiro e último recurso. Minha inteligência e meus dons de artista colaboravam, é claro, mas nada se compara à beleza, e à sensualidade de um corpo nu que se sabe belo. A visão dos meus seios brancos e de minha bunda maravilhosa, a levaria de volta àquelas tentações a que ela outrora sucumbira (por assim dizer). A mulher beijada uma vez por outra mulher, nos lábios, não se esquece jamais. Nós mulheres fomos feitas umas para as outras. Os homens são adoráveis intrusos... ou invasores. Não nos conhecem.
Na primeira noite da minha evolução natatória, ao luar, não pude concluir que ela tivesse levantado do seu leito, para olhar-me através de alguma fresta da janela, apesar das fortes e barulhentas braçadas de nadadora veloz, que dei na piscina. Tive de repetir a performance durante uma semana. Armava também pequenas armadilhas para que ela me encontrasse nua, inadvertidamente. Até que uma manhã, percebendo que ela vinha me procurar no quarto para um simples recado de Matilde, eu pus-me nua apressadamente, no box do banheiro, acocorada, iniciando um caprichado e sibilante xixi. Ela parou diante da porta aberta e titubeou, ficou corada como da primeira vez, fez menção de sair, dando-me as costas, mas voltou. Parada ali, na minha frente, olhando-me fixamente, ofegante, seu olhar afinal a traiu como a respiração. A tentação se instalara, novamente, afinal.
Minha prima, no auge de sua beleza, não mais uma menina, subitamente levantou o seu vestido e retirou-o pela cabeça, descendo a calcinha a seguir e descalçando com os pés suas sandálias. Então começou a urinar de pé, sem sequer abrir as pernas e encaminhou-se para mim, que ergui-me no box, imitando-a, enquanto dois rios desciam banhando nossas brancas, longas e belas pernas, de mulheres em plenitude que assim se encontravam sem mais falsos pudores, sem reservas novamente, como as crianças que fôramos no verão passado...
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terça-feira, 25 de março de 2008
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Um comentário:
Que conto maravilhoso!
adorava ser o receptor dessa chuva maravilhosamente dourada.
Beijo
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